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Mulheres do mercado editorial

Daniela Senador

Da esq. para a dir.: Juju Gomes, Lígia Azevedo, Íris Fugueiredo, Diana Passy, Thaíse Costa Macêdo e Ale Kalko, no debate “Mulheres do mercado editorial”.

Num momento em que a temática do feminismo incursiona por diferentes mercados, a Editora Seguinte, em parceria com a Livraria Martins Fontes Paulista, realizaram, no dia 17 de março, o debate “Mulheres do mercado editorial”, no intuito de trazer à tona a jovens leitores – e ao mercado, de forma mais ampla – o papel de mulheres neste segmento, as conquistas realizadas, exemplos de situações a serem transformadas, inspirações.

Estas inspirações se deram por meio do depoimento franco e sensível de cinco profissionais atuantes em diferentes áreas – Ale Kalko, designer, ilustradora e editora de Arte na Woman’s Health Brasil; Diana Passy, responsável pelo marketing da Editora Seguinte; Juliana Gomes, supervisora comercial na Editora Morro Branco e uma das coordenadoras do Leia Mulheres no Brasil; Lígia Azevedo, preparadora e tradutora; e Thaíse Costa Macedo, editora do selo Plataforma 21, na V&R Editoras, com mediação da autora de Céu sem estrelas, Íris Figueiredo.

Nós, que também somos mulheres do mercado editorial, uma vez que concebemos uma empresa formada majoritariamente por mulheres que se dedicam a diversos projetos de empresas deste segmento, consideramos importante marcar presença no evento e deixar aqui registrados os principais pontos de reflexão – e inspiração – a respeito desta conversa, que certamente inspirará muitas outras.

  • Grandes conquistas, muitas vezes, acontecem apenas depois de se ouvir muitos “nãos”, pois nem sempre se obtém êxito na primeira tentativa. E isso faz parte da vida. Frustração e desistência não podem ser as palavras de força para quem tem um objetivo firme de um papel a exercer, de uma contribuição a se fazer: ingressar numa editora, numa livraria, conquistar novos cargos e responsabilidades. Esta foi a mensagem transmitida por Juju Gomes, que enviou dezenas de currículos até obter um cargo que almejava, e Ale Kalko, empreendedora, que também defende o self-publishing como alternativa e forma de expressão de projetos idealizados, nem sempre acolhidos por organizações do segmento. Ou seja, faça acontecer. Não desista.

  • O título acadêmico acaba se tornando secundário para atuação no mercado editorial, onde o que é, de fato, relevante, é a formação cultural dos profissionais, o vínculo que têm com os livros no seu dia a dia, o quanto conseguem entender e expressar o seu próprio gosto literário. E até mesmo fazer acontecer – iniciativas que traduzem tudo isto, como a de influenciadoras do meio ao criarem canais de disseminação de conhecimentos da área no YouTube, no Instagram ou blogs, acabam sendo até mais relevantes do que o diploma. Esta foi praticamente a mensagem de todas as mulheres presentes, que enfatizaram não ter necessariamente uma faculdade condizente com a sua atuação hoje. E o mesmo vale, segundo Diana Passy, no momento de entrevistas de emprego. De nada vale um currículo repleto de títulos se não é possível falar com propriedade do livro que se leu no mês passado. No entanto, muitas destacam a importância de alguns cursos livres para manter conexão com outros profissionais da área e se manter atualizado.

  • Ler mais livros de autoras do que de autores. E, por que não, radicalizar nesse sentido, como Lígia Azevedo? Mulheres precisam ser valorizadas por mulheres. E isto precisa ir além do discurso, deslocando-se para a prática – a prática de leitura, neste caso. Você já parou para pensar quantos livros escritos por mulheres você leu nos últimos meses? Eu, tendo em vista minha paixão por Paris, estou lendo dois – A livraria mágica de Paris, de Nina George (Record) e Rua do Odéon, de Adrienne Monnier (Autêntica).

  • Copo meio vazio ou meio cheio? Opiniões se dividem e este é o maior ponto de reflexão, a meu ver. Grandes conquistas foram feitas por mulheres no segmento editorial. Mas muitas acreditam que há muito a ser feito, pois, ao introduzir o tema, é raro começar pelas conquistas e, sim, pelas situações controversas, constrangedoras, que mulheres vivenciam no mercado de trabalho. Quem nunca…? E fica, então, no ar, a pergunta da Flávia Lago, editora da FTD: que atitude tomar para contribuir a cada dia para a redução dessas situações? Como darmos as mãos e atuarmos, de fato, para fazer a diferença e encaminhar as situações para o que se acredita ser mais justo? Cada uma, uma opinião, mas todas ainda sem conclusão. Pensemos juntas.

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