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10 reflexões a partir do XIII Fórum de Editoração

Daniela Senador

No último sábado, dia 21 de outubro, tive a honra de participar do XIII Fórum de Editoração, realizado na Unibes Cultural, em São Paulo, como mediadora da mesa “Da Internet à estante: a nova economia do livro”. Concebido pelos alunos da Escola de Comunicações e Artes da USP, onde me formei há mais de dez anos, o Fórum trouxe como tema central “Expandir e lapidar: escolhas e contrapontos do editor” e contou com uma organização impecável, a servir de exemplo para outros eventos do nosso mercado.

Tão boas companhias não podiam deixar de trazer uma rica discussão a respeito da importância das novas mídias para o mercado editorial brasileiro. Comigo estavam Diana Passy, que trabalha na Companhia das Letras desde 2009, onde foi responsável pelo blog e pelas mídias sociais da editora, estando hoje à frente do marketing e da curadoria de livros na Editora Seguinte; Mayra Sigwalt, cineasta e roteirista, co-fundadora do Clube de Assinaturas Turista Literário e booktuber que lidera o canal All About That Book, com quase 30 mil inscritos; Fabrício Valério, gerente editorial da V&R Editoras, responsável por trazer ao brasil o best-seller O diário de um banana e Hélio Puglia, autor do livro Repensando o modelo de negócio do livro, pela COM-Arte. O debate, que durou cerca de uma hora e contou com a participação ativa do público por meio de perguntas, nos suscitou reflexões, dez das quais compartilhamos aqui com nossos leitores:

1. existe uma mudança de mentalidade recente no mercado editorial, de, aproximadamente, uma década, em relação às novas mídias: hoje, valoriza-se a utilização estratégica de canais digitais na intenção de impulsionar as vendas das editoras e livrarias, e contribuir para a sua sustentabilidade financeira, pois, antes, eram vistos apenas como canais de comunicação com leitores sem a dimensão de que, numa organização, a comunicação atende os objetivos de marketing;

2. neste processo, o preconceito em relação à disciplina de marketing foi vencido no mercado editorial, pois, inevitavelmente, passou-se a encarar o livro como um produto – um “produto sagrado”, como ressaltou Fabrício, para girar a própria “economia do livro”, como bem ressaltou Hélio Puglia;

3. as mídias sociais também se tornaram ferramentas importantes para a obtenção de subsídios para a curadoria de livros nas editoras, uma vez que o contato direto com os leitores amplia as possibilidades de conhecer o seu comportamento, seus interesses e isso leva os editores a selecionarem com mais assertividade os livros que vão disponibilizar ao público;

4. o relacionamento com os leitores é hoje o maior desafio das editoras e até mesmo para Mayra Sigwalt, que possui o clube de assinaturas Turista Literário, pois ter contato com a opinião do público não é nada fácil e é ainda mais difícil quando a editora, por exemplo, toma um atitude de não atender expectativas de leitores, por exemplo, não traduzir títulos norte-americanos publicados no Brasil;

5. os canais das editoras – site e mídias sociais, principalmente – geram tráfego para as livrarias parceiras, mas existe uma dificuldade grande de dimensionar as vendas a partir deste tráfego pois, ainda que se consiga medir quantos visitantes foram enviados ao e-commerce desses players, é difícil para as editoras mensurar a venda por falta de informação das próprias livrarias e encontrar alternativas para essa mensuração;

6. hoje, as editoras utilizam canais em mídias sociais muito mais para brand awareness (visibilidade de marca) e para relacionamento com o seu público do que com foco em conversão em vendas;

7. precificar o trabalho de um influenciador digital não é nada fácil, segundo Mayra Sigwalt, pelo fato de que ela não pode competir com quem tem mais de 100 mil inscritos no YouTube, mas, por outro lado, atualizar o canal requer um esforço considerável, uma vez que ela tem de ler o livro, conceber o roteiro do vídeo, gravá-lo e editá-lo para fazer a divulgação;

8. ainda não faz sentido para autores e editores trazer para as páginas dos livros a linguagem utilizada pelos jovens na internet, mesmo que as obras sejam direcionadas para este público, uma vez que tudo na internet é efêmero – até mesmo a existência de determinadas mídias sociais -, e existe a intenção não deixar o livro datado demais, aspecto que foi bastante questionado pelo público presente;

9. no Brasil, diferente de outros países, o preço do livro digital não é necessariamente inferior ao do livro físico e isso é bastante questionado pelos consumidores, e um dos aspectos levantados pelos editores é também a porcentagem de repasse para os autores dos e-books, ainda relativamente alta no Brasil e

10. embora seja difícil para editoras e livrarias, é possível estabelecer uma metodologia de mensuração dos resultados das iniciativas de marketing com foco no retorno sobre o investimento.

Mais fotos da nossa participação no XIII Fórum de Editoração você pode conferir na página da Soneto no Facebook e também no nosso perfil no Instagram.

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